sábado, 10 de março de 2007

DOIS CANTOS


Dois cantos

Eram sim só duas vidas
d . i . s . t . a . n . t . e . s;

em dois.......................... cantos
‘té em mãos de acalanto
se encerrar o desencanto
e nascer a nossa história,
como se tivessem – distraídas –
as águas calmas do rio Branco
desaguado em Vitória...

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007

O fim de todos nós

Na falta de tempo para escrever, vai hoje um velha poesia do João. O começo da história do menino do semi árido fica pra semana que vem. Abraços


Você que zomba de todos, do importante ao plebeu,
Você que é dono de tudo, até do que não é seu,
Você que sonha acordado, que tem o mundo a seus pés,
Sem Deus você é um coitado e a sua vida, um revés,
Uma piada sem graça nas rodas dos cabarés

Você que vive oprimindo o coração de quem quer,
Seja idoso ou menino, seja valente ou mulher,
Você que pensa que vale todo o dinheiro que tem,
Sem Deus você vale nada e mais que nada é ninguém,
É como o fim de uma estrada no pesadelo de alguém...

A vida é como a fumaça, nem bem se fez, se desfaz
E cada instante que passa é um passo a menos e a mais,
Na direção do fim, frio feroz, do fim de todos nós...

Seu riso é puro lamento, seu reino é só escravidão,
O esconderijo dos loucos é crer na própria razão
E um coração orgulhoso é nau perdida no mar,
Não tem destino nem rumo, nem pr'onde ir, nem chegar,
É quase que um desencontro que nunca vai se encontrar...

O grande exemplo do homem está em Cristo, o Senhor,
Que, sendo Dono de tudo, o Seu amor não negou
E Se entregou como um servo, seu próprio sangue verteu,
Pagou o preço da morte, ressuscitou e venceu,
Modificou nossa sorte e a vida eterna nos deu...

terça-feira, 30 de janeiro de 2007

O menino do semi-árido - Parte 0

A aquarela humana possue nuances quase imperceptíveis. Um pantone que impede qualquer tentativa de enxergar a vida de forma exata em preto e branco ou sépia sem graça, em um gris sombrio ou num eterno arco de cores alegres.

Obra de arte singular, o homem vive em busca de uma imagem que alivie seu peso e, se possível, arranque alguns aplausos dos passantes. Aparente vantagem pros virtuosos que se maquilam com sofisticação e enganam pelo menos aos outros; azar dos medíocres que ficam nos guetos tentando enfeitar-se com giz de cera e pouco talento, sem conseguir ao menos evitar os borrões pra fora das linhas. A tinta e a cera dos virtuosos e medíocres só acrescentam mais peso da existência sem sentido.

Num planeta de contrastes é difícil falar de uma verdade plena. Numa terra onde tantos pensam que sofrer é a sina dos fracos, parece loucura falar de um bem comum. Penso logo desisto. E quando desisto prefiro devolver o pincel às mãos do pintor. “Sobre tudo o que se deve guardar guarda o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida”, boa vida, leve vida.

A beleza do fogo nas cores da morte