Obra de arte singular, o homem vive em busca de uma imagem que alivie seu peso e, se possível, arranque alguns aplausos dos passantes. Aparente vantagem pros virtuosos que se maquilam com sofisticação e enganam pelo menos aos outros; azar dos medíocres que ficam nos guetos tentando enfeitar-se com giz de cera e pouco talento, sem conseguir ao menos evitar os borrões pra fora das linhas. A tinta e a cera dos virtuosos e medíocres só acrescentam mais peso da existência sem sentido.
Num planeta de contrastes é difícil falar de uma verdade plena. Numa terra onde tantos pensam que sofrer é a sina dos fracos, parece loucura falar de um bem comum. Penso logo desisto. E quando desisto prefiro devolver o pincel às mãos do pintor. “Sobre tudo o que se deve guardar guarda o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida”, boa vida, leve vida.

